Pedro nasceu com uma veia que cresce errada no rosto. Começou do tamanho de uma picada de mosquito. Hoje cobre o olho esquerdo.
Ele tem dezenove anos. Passou todos eles vendo isso aumentar.
Esse ano a coisa mudou de ritmo. Começou a inchar mais todo dia.
Se isso não for resolvido em 90 dias, o risco da operação dobra.
Dois meses já se foram. Sobrou apenas um.
A mãe dele faz faxina desde que ele nasceu: sai antes das cinco, seis dias por semana. O dinheiro vira mercado e aluguel. Tratamento nunca coube.
E ela não tem como pegar serviço a mais. O Caio, irmão de Pedro, tem seis anos e uma condição severa. Não fala nenhuma palavra e só fica calmo com ela. A mãe volta de cada faxina quase correndo por causa dele.
Pedro tentou arrumar emprego pra ajudar. Ninguém dá serviço pra ele com o rosto assim. Ele fica em casa vendo a mãe sair de madrugada, fazendo uma conta que não fecha de jeito nenhum.
A operação existe. O que separa Pedro dela é o valor e um prazo que não espera.
Ele se escondeu a vida inteira. Sentava no fundo da sala, sumia das fotos. Agora tá de cara aberta, porque acabou o tempo de se esconder.
Falta um mês. E ainda dá tempo.
A virada do Pedro pode começar aqui embaixo: